Para os que gostam de futebol, a Copa do Mundo é um evento
muito aguardado, que deixa todos animados e ansiosos. No ano em que o evento
acontece no Brasil, não seria diferente! O país já está em clima de festa, muitas
pessoas já se programaram para assistir aos jogos e, claro, para torcer muito
pelo hexacampeonato brasileiro! Mas o campeonato de futebol pode criar um meio
estressante, e será que isso aumenta as chances dos torcedores desenvolverem
eventos cardiovasculares?
As doenças cardiovasculares agudas podem ser desencadeadas
por alguns estímulos, como por exemplo, o estresse. São os chamados “gatilhos”.
E os jogos de futebol, por aflorarem as emoções e criarem um ambiente
estressante, podem se caracterizar como possíveis gatilhos para essas doenças.
Diversos estudos foram realizados para tentar descobrir se um jogo de futebol é
intenso o suficiente para causar um aumento no número de eventos
cardiovasculares agudos entre os torcedores.
Estudos na Inglaterra, Holanda e Alemanha mostraram aumento
significativo no número de pacientes atendidos devido ao infarto agudo do
miocárdio, e outros eventos cardiovasculares, nos dias em que as seleções nacionais participaram de jogos importantes de Copas do Mundo (e outros campeonatos grandes),
especialmente quando jogos foram dramáticos e decididos nos minutos finais. No
Brasil, um estudo comparando o número de infartos agudos do miocárdio nos dias
de jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo, com períodos em que não houve
jogos do Brasil, também constatou aumento no número de eventos
nos períodos de jogos.
Mas os achados não são incontestáveis. Outros trabalhos,
como o realizado na Itália (também considerando a participação da seleção em
Copas do Mundo, inclusive em jogos decisivos e dramáticos) não apontam diferenças
significativas entre o número de pessoas atendidas nos serviços de saúde em
dias com e sem jogos da seleção italiana.
Ainda assim, é bastante possível que a Copa do Mundo
desperte emoções suficientemente fortes para se tornar um gatilho para doenças
cardíacas agudas. Portanto, prepare a torcida, mas cuidado com o coração!
Referências :
Copa do Mundo como gatilho:
Copa do Mundo como gatilho:
Luiza Leal
Coordenadora da Liga de Cardiologia da Unicamp
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